Friday, September 10, 2010 13:44

Personagens parelhenses – Valdemar Trindade

Posted by Parelhas.NET on quinta-feira, abril 1, 2010, 10:14
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VALDEMAR TRINDADE era um conhecido comerciante de minérios e tornou-se famoso depois que resolveu montar um museu onde colecionava amostras de pedras de todas as espécies que lhe apareciam, inicialmente aquelas extraídas em minas localizadas no Município de Parelhas, mas logo teve de ampliar seu projeto, pois a toda hora apareciam pessoas de outras regiões trazendo pedras que ele imediatamente comprava, catalogava e acrescentava ao acervo. Muitas outras lhe foram presenteadas por amigos ou pessoas anônimas que simplesmente queriam colaborar e o certo é que sua casa foi ficando pequena para abrigar tantas prateleiras com pedras, com as mais variadas formas, tamanhos e matizes, mas todas muito belas. Era a principal atração turística que existia em nossa cidade e era comum excursões com estudantes e professores de geologia visitarem o mostruário (como ele chamava) com finalidades didáticas ou simples deleite. Em uma seção à parte, “juntava” amostras de falsificações que espertalhões faziam para tentar enganá-lo, mas isso será comentado em outra oportunidade, para não me estender muito agora. Sua paixão pelos minérios começou em meados dos anos 50, quando trabalhava na Usina de seu Florêncio, onde era uma espécie de “faz tudo”, desde a manutenção e conserto de máquinas e equipamentos, até a zeladoria do prédio que ainda hoje existe na Rua Valentim Nóbrega. Naquela época conheceu Raimundo Pimenta, comprador de minérios da Brasimet e passou a ser seu representante comercial, comprando a produção de berilo, colombita, tantalita e muitas outras variedades extraídas das minas. Saiu do emprego na usina e estabeleceu-se por conta própria, tornando-se o principal negociante de minérios da cidade. Era um homem muito sisudo e somente com pessoas muito chegadas é que de vez em quando admitia alguma brincadeira quando então mostrava todo o seu estoque de poesias que sabia de cor, daquelas aprendidas na literatura de cordel, sempre selecionadas entre as de melhor conteúdo humorístico-erótico-pornográfico. Infelizmente todo esse acervo se desfez junto com ele, pois eram da época de sua infância/juventude e não ficou nada escrito, mas sua arte de declamar valia a pena ouvir. Sempre que nos encontrávamos, gostava de pedir para lhe contar casos interessantes atendidos durante os mais de trinta anos que trabalhei na Polícia Civil de São Paulo e que ele todas as tardes acompanhava nos noticiários da televisão. Certa vez eu estava na loja de tecidos de Zé Cordeiro conversando com várias outras pessoas, quando Valdemar chegou e pediu para contar o caso do filho de um sapateiro que acertou na loteria, pois Ernani Cordeiro tinha ouvido o relato na véspera e não soube explicar nada direito. Como Ernani estava ali presente, vermelho que nem uma pimenta, confirmou que realmente tinha sido um fato muito arrepiante, mas ele não sabia contar com os detalhes de quem atendeu a ocorrência e pediu para repetir, sendo que de todos os presentes, apenas Valdemar não a tinha ouvido ainda. O caso foi o seguinte: em um sábado, por volta de uma hora da tarde, o dono de uma oficina de conserto de sapatos mandou seu filho, um rapazinho de uns 15 anos comprar uma lata de cola no armazém que ficava ali perto. Antes d’ele chegar na loja, foi abordado por um vendedor de bilhetes de loteria que com muita lábia, o convenceu a comprar vários bilhetes, afirmando que estavam premiados e que ele iria ganhar muito dinheiro. O garoto acreditou, comprou tudo que podia com o dinheiro que tinha e retornou à sapataria. Seu pai ao vê-lo sem a cola e com os bilhetes já foi desconfiando o que tinha acontecido e quando o filho disse que os bilhetes estavam premiados, ele olhou no relógio e retrucou: como estão premiados se ainda faltam dez minutos para o sorteio? Já pegou uma correia de sola e chicoteou o filho até que ele conseguiu escapar correndo, entrou no sanitário e trancou a porta por dentro. Passados cerca de vinte minutos, quando já tinha saído pelo rádio o resultado do sorteio, o bilheteiro entrou sorrateiro na sapataria e perguntou ao velho onde estava o garoto, que ele queria devolver o dinheiro dele e ter seus bilhetes de volta, mas viu que o sapateiro vinha em sua direção com a chibata e apressou-se em dizer que na realidade aqueles bilhetes tinham sido contemplados no primeiro prêmio e mostrou o resultado. Só então o velho se deu conta de que o menino estava trancado no sanitário já fazia mais de vinte minutos, foi lá, bateu várias vezes na porta e chegou até a pedir perdão, mas como não havia resposta e o barulho feito pelo sapateiro gritando, já começou a juntar gente, resolveu junto com o bilheteiro arrombarem a porta e encontraram o jovem com a cara toda roxa, o cinturão no pescoço, e os olhos esbugalhados. Emocionado, Valdemar interrompeu-me com a pergunta: estava morto? – Não Valdemar, tava entupido; comeu goiaba com as sementes e entupiu; tava roxo de fazer força e não saia nada! – respondeu Basto Medeiros, que já tinha caído na véspera com a mesma pergunta. Foi uma farra impossível de descrever; parecia o momento de um gol da Seleção e só Valdemar não riu. Depois de fazer “rum”, comentou sério: tem dias que a gente não devia sair nem na janela de casa e foi embora sem sequer se despedir. No dia seguinte, logo cedinho quando nos encontramos na Praça, ele disse que tinha passado a noite rido sozinho da própria burrice e já foi pedindo para contar outra, porque ele estava a fim de se vingar de seu amigo Basto.

Por: Alínio Silva do Nascimento

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Comentários disse em “Personagens parelhenses – Valdemar Trindade”

  1. Fátima Moura de Souto
    2010.09.05 11:22

    Quando fui aluna do Barão gostava de ficar embaixo da Mangueira e deliciar aquelas Mangas gostosas apesar de ser dificil de encontrar uma. Um abraço para minha ex professora dona Vanda Macêdo

Você deve estar