April 19, 2024

Movimento da população em situação de rua do RN discute visibilidade em encontro no ES

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Barracas no centro de São Paulo

Foto: Luisa Medeiros

A capital capixaba, Vitória, foi o cenário do 6º Encontro da Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua. Este evento bienal, que transcorreu ao longo de quatro dias, de 19 a 21 de outubro, reuniu um grupo diversificado de profissionais, ativistas e movimentos sociais de todo o país, todos engajados em abordar questões cruciais relacionadas às pessoas em situação de rua.

O coordenador nacional de População de Rua, Vanilson Torres, enfatizou a importância de se dar voz e visibilidade às pessoas em situação de rua no Brasil. Ele destacou que, muitas vezes, esses cidadãos são negligenciados e marginalizados, vivendo à margem da sociedade. Torres salientou que é vital reconhecer a população de rua como parte integral da sociedade brasileira e garantir que seus direitos sejam respeitados e protegidos.

Com a leitura do poema “o amor venceu o ódio”, Vanilson Torres alerta para a necessidade de uma abordagem mais humanitária e compassiva em relação às pessoas em situação de rua, que frequentemente enfrentam desafios significativos, como acesso à saúde, moradia e trabalho.

O encontro deste ano, com o tema “Visibilidade e Integralidade”, buscou trazer à luz uma visão ampliada das necessidades das pessoas em situação de rua, abrangendo áreas como saúde, moradia, trabalho, cidadania e direito à cidade. Um dos principais objetivos do encontro foi construir coletivamente redes entre serviços, promovendo a participação direta da sociedade civil e incentivando ações que fortaleçam a integralidade das ações em saúde e cidadania.

A Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua surgiu em 2016 como um movimento autônomo de profissionais da saúde que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa começou com o trabalho de Daniel de Souza, articulador e membro de uma equipe de Consultório na Rua em Manguinhos, no Rio de Janeiro. A partir daí, outras pessoas se uniram ao movimento, formando um grupo coeso que decidiu dar vida à Rede Nacional, organizando Encontros Nacionais anuais.

Os primeiros passos incluíram a criação de grupos no aplicativo WhatsApp, o que permitiu agregar a maioria dos profissionais de saúde que atuam em diversas equipes em todo o Brasil. O resultado desse esforço coletivo é uma rede ativa e engajada, pronta para abordar os desafios que as pessoas em situação de rua enfrentam.

Durante o 6º Encontro, uma série de palestras, mesas-redondas e grupos de trabalho abordaram questões vitais, como acesso à saúde, inclusão social, habitação e educação. O evento também promoveu discussões sobre políticas públicas que possam melhorar a qualidade de vida dessas populações marginalizadas.

Além disso, o encontro destacou a importância de cuidar das pessoas em situação de rua, reforçando o papel fundamental desempenhado pelas equipes que trabalham com essas populações em todo o país. A troca de experiências e o compartilhamento de boas práticas em nível nacional e interministerial foram elementos-chave no fortalecimento do cuidado e da assistência.

A visão integral da questão das pessoas em situação de rua é crucial para promover a inclusão e a cidadania. O 6º Encontro da Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua não apenas destaca a necessidade de um esforço coletivo para abordar essa questão social urgente, mas também demonstra o compromisso contínuo desses profissionais em melhorar as condições de vida e a integração dessa população na sociedade brasileira.

Censo

Estudo realizado entre 2021 e 2022 no Rio Grande do Norte revelou que há uma tendência de presença de pessoas em situação de rua perto do litoral e em polos territoriais próximos de fronteiras estaduais, como Mossoró, Caicó, Apodi e Pau dos Ferros. Natal, a capital do estado, concentra a maior quantidade de pessoas em situação de rua, totalizando 67,71% desse grupo. Outros municípios próximos a Natal também apresentam uma quantidade significativa de pessoas em situação de rua, devido ao fluxo migratório e à oferta de meios de sobrevivência.

Em relação ao perfil da população em situação de rua no Rio Grande do Norte, a maioria é composta por homens negros, em faixas etárias economicamente ativas. Dos 2.199 casos identificados, 76,37% são pessoas negras, sendo 1.647 do sexo masculino e 552 do sexo feminino. Além disso, 79,8% das pessoas têm entre 18 e 59 anos.

Um dado relevante encontrado no estudo diz respeito aos impactos da pandemia de Covid-19 no perfil da população em situação de rua. Houve um aumento significativo de pessoas nessa condição após o início da pandemia, devido à perda de trabalho e moradia.

As vivências das pessoas em situação de rua no Rio Grande do Norte são marcadas por violações de direitos, incluindo a falta de acesso a serviços básicos, agressões de diferentes tipos e por diferentes agentes, além de relações de pouca confiança com as forças de segurança e o sistema de justiça.

fonte: saibamais.jor.br

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